Seleção de Obras

 

1964. O Golpe Militar depõe o governo de João Goulart.

Gilberto Salvador, ainda estudante e engajado na política estudantil, desenvolve seu trabalho com fortes referências do momento histórico do Brasil e toda rearticulação política mundial, tais como: Barricada de Paris, Guerra Fria, Guerra do Vietnã, derrubada de grande parte dos governos da América Latina pela CIA, consolidação da Revolução Cubana etc.

Após sua primeira individual na Galeria do Teatro de Arena, o artista desenvolve sua obra fortemente marcada pelos momentos descritos.

Tropicália, Jean Luc Godard, Fellini, Pasolini, Glauber Rocha, bossa-nova... A proximidade com o Grupo Concreto e com Waldemar Cordeiro vai mudar radicalmente sua poética. Discursos formais e seu início na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP trazem estes novos elementos.

 

No início da década, uma proposta de fazer uma arte, onde a participação do observador, não fosse passiva, gerou uma série de objetos lúdicos e com estruturas formadas matematicamente.

Logo em seguida o interesse pelo Paisagismo e a questão Meio Ambiental faz o artista a se aproximar de Roberto Burle Marx e dedicar boa parte da sua temática a esta questão.

Estes elementos iconográficos de uma Brasilidade, começam a reforçar o discurso em suas obras e que ficarão em evidencia.

Em 1979 na mostra ”Viagem da onça aos lugares santos”, estas obras vão balizar a sequência de seu percurso.

Na mostra da Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, aparece à temática indígena de forma relevante, como consequência direta de duas questões; Meio Ambiente e Brasilidade. Durante este período, esta característica gera certo caráter de contestação com o governo da época, que defendia abertamente o crescimento desordenado como forma de superação.

Em 1986 na Dan Galeria em São Paulo, a coletânea Série Branca, marcará uma relação mais significativa, com as dimensões das obras e que resultara na exposição organizada no Museu de Arte de São Paulo (MASP), que constam do Livro História Natural do Homem, de Jacob Klintowitz. 

Novos suportes começaram a ser explorados, tais com Fibra de Vidro, alumínio, madeira e aço que resultaram em obras que retomam a questão fundamental para o artista, que é um colóquio entre o orgânico e o geométrico, como se retomasse a questão original do final da década de 60.

As obras desenvolvidas em recortes ganham um caráter de objeto, onde a pintura é um complemento.

O envolvimento de Gilberto com a produção de gravuras se intensifica e através de diversas técnicas produz um número expressivo de edições, este fato gerou duas importantes exposições de gravuras que foram: ”Cantárida”- “Ode ao canto da Sereia” e resultará na exposição de aquarelas “A Guilhotina N’água”.
Com a construção da escultura “Voo de Xangô” para o Metrô de São Paulo, o artista marca um retorno à escultura que vai permear todo período. Usando técnicas diversas do Aço ao Bronze a produção ganha características compatíveis com o discurso pictórico, mas dentro tridimensionalidade.

As esculturas, em sua grande maioria, são policromáticas onde se denota o caráter pictórico sendo valorizado.

Com a exposição de gravuras em metal de grandes dimensões feita na Pinacoteca do Estado de São Paulo, intitulada “O Reino Interior” a produção gráfica acompanha um forte impulso que paralelamente se deu nas esculturas do artista e culminaram nas exposições da FIESP e do Museu da Casa Brasileira.
Trabalhos onde uso de múltiplos suportes e um significativo envolvimento com processos industriais, onde se agregaram tecnologias de caldeiraria e naval para a confecção das obras escultóricas, que foram introduzidas em espaços urbanos e particulares.

Atualmente a produção continua com a multiplicidade de suportes. Gravuras em metal, esculturas, aquarelas, pinturas e monotipias seguem a proposta do artista em pesquisar múltiplas vertentes para a conclusão de seu trabalho e não se prendendo a uma questão temática ou técnica.

 

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